quarta-feira, 27 de junho de 2012

ecos


O silêncio da noite confunde-se com o frio lá fora.  Não chove, mas os sons dos pneus do carro que passa, contra o asfalto, desmentem-me.  De fato, talvez nem seja noite.  Tenho por conta que é dia, e chove.  São quatro pequenos passos até a janela, mas até lá não vou.  Sei que, ao abri-la, o dia transformar-se-ia em noite, e a chuva em seca.

Da minha poltrona contemplo a solidão, esta companheira silenciosa de noites que são dias e de dias que são noites.  Juntos seguiremos - estóicos - os repetitivos ciclos das estações, enquanto encasulados nas paredes do meu quarto, ecos impacientemente aguardam para assombrar meus últimos passos.


sábado, 23 de junho de 2012

void


veloz,
aqui está -
nesta cesta
de vime

através
das frestas:
vermelhos
olhos

palha e feno
gafanhoto
mais pequeno
depois pó