é novamente hoje
e as cinzas do ontem
repousam nos ombros
a responsabilidade do mundo
na obrigatória felicidade
mais um sorriso esqueço
já que não me vêem
solitário com todos
os pensamentos
na encruzilhada dos sonhos
sou feliz num deles,
fantasma noutro,
mas, nunca eu mesmo -
pois o dom da identidade
foi destinado aos deuses
e esses não mais existem
sábado, 18 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
ancoradouro
o dia de hoje é como uma página em branco
nela escreverei com giz de cera uma história
igual e diferente daquela de ontem:
os pássaros cantarão no jardim,
as rolinhas voarão no quintal,
e as linhas tortas do destino
talvez já definidas ao vento
cruzarão meu corpo por dentre labirintos
com muitos desvios insinuantes --
permanecerão fechados como crisálidas,
para sempre cristalizados, inatingíveis agora,
e no horizonte avistarei, ao por do sol,
caravelas brancas sobre um mar barroco
partirão, ligeiras, rumo à estrela vesper
enquanto o manto da noite me cobrirá
de remorsos por não zarpar
terça-feira, 7 de agosto de 2012
eco
falei pro ar, sozinho,
agora, uma palavra breve
aonde foi parar,
essa breve palavra?
soltei no rio, sozinho,
agora, uma rosa em botão
aonde foi parar,
esse botão de rosa?
ouvi na noite, sozinho,
agora, um pio de coruja
aonde foi parar,
esse eco que não para?
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
estilhaços
e s t i l h a ç o s
assim começava o poema concreto
seria o primeiro e último, porque,
no fim das contas, não gosto,
então, - eu - não o escrevi
apenas o deixei dentre
as coisas que seriam
mas que não são
embora sejam
assim começava o poema concreto
seria o primeiro e último, porque,
no fim das contas, não gosto,
então, - eu - não o escrevi
apenas o deixei dentre
as coisas que seriam
mas que não são
embora sejam
segunda-feira, 16 de julho de 2012
diplodocus
o frio é um trilobita ativo
sinto nos pés suas farpas
e deixo no ar uma estátua
em negativo, cálida,
esfacelada, de pronto,
ao vento gélido
medusas transparentes
flutuam no espaço
sem serem vistas,
caras pálidas
fósseis todos nós somos
incrustados no ar,
esta matriz seca,
que a tudo une,
inescrutável
sexta-feira, 13 de julho de 2012
casulo 3
um casulo é uma pílula,
um centro cercado por fora
e bem no meio uma fina,
mole e flexível membrana
ora, como nas pílulas
o nada que está no casulo
sonha que o fora é o dentro
e que o dentro é o mundo
este casulo em que vivo
possui um pequeno furo
por ele porei a membrana
bem lentamente, contudo
quarta-feira, 11 de julho de 2012
casulo 2
Esta é a história do homem chamado Casulo.
Casulo casou com Camila e teve três filhos:
Calvino, Cecília, e Casmurro
Sem falar dum que não veio
de nome Joaquim
Viveram felizes pra sempre
Até que um dia Casulo colou na parede
Como um casulo de verdade,
Não como humano, que também era
Não mais feliz Casulo estava
Ser mariposa ou borboleta queria
Vestir suas asas, fugir pro além
Metamorfose, milagre, quem sabe?
Não veio, nem cedo nem tarde
Por Seu Epitáfio: Quo Vadis?
Casulo casou com Camila e teve três filhos:
Calvino, Cecília, e Casmurro
Sem falar dum que não veio
de nome Joaquim
Viveram felizes pra sempre
Até que um dia Casulo colou na parede
Como um casulo de verdade,
Não como humano, que também era
Não mais feliz Casulo estava
Ser mariposa ou borboleta queria
Vestir suas asas, fugir pro além
Metamorfose, milagre, quem sabe?
Não veio, nem cedo nem tarde
Por Seu Epitáfio: Quo Vadis?
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