sábado, 16 de fevereiro de 2013
Teeteto
felicidade e filosofia, algo a ver?
seria um filósofo mais feliz
ou alguem alegre a mais pensar?
tenho um amigo que busca a euforia
na admiração dos outros
já outro amigo só fica feliz
quando come um biscoito
porisso talvez gordo fosse Platão
e tão impopular aos tolos
a felicidade que logo vem, logo vai,
a sabedoria, que custa a chegar, fica,
eu vou agora, pois feliz não estou,
e filósofos todos somos sem saber
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Pandora
então foi desse jeito?
foi assim que tudo passou...
e ninguém falou nada?
os que ouviram, se foram,
ninguém que sabia, disse
esta caixa de pedra
está cheia de pedra
cristal de rocha, quartzo,
pesada como basalto
sólida caixa de pedra
nela não cabem meus óculos
nem cabe mesmo mais nada
tampouco um átomo
nela guardei os detalhes
do que se passou
sem que soubéssemos
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
another day
vez por outra eu me deparo
e sigo em frente, inédito,
de todos os pensamentos
ela não ficou só
eu sigo em frente, pálido,
de todas as intrigas
ela vai longe, horizonte,
meu signo de sagitário
descansa em paz na parede
antes de chegar na chegada
capotei depressa, um record,
eu sigo em frente, intrépido,
mascando chiclete
como todos os outros
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Niccolò
saber fazer direito, já dizia Epictetus,
e depois esquecer a poeira, o cheiro,
das taturanas antípodas
e das centopéias de Taranto
agora sou da sociedade secreta
das andorinhas descalças
farei nas nuvens meu ninho
e nas estrelas amarras
eis que tudo se acalma
com a chegada da lua
certeza mesmo, só uma:
que, hoje, o dia
poderá não ter fim
poderá não ter fim
sábado, 2 de fevereiro de 2013
companheira
chove lá fora
do teatro que estou
ouço o som abafado
da tarantela das gotas
a peça vai já tarde
e logo também eu vou
o desfecho permanece
as perguntas
como eco ressoam
uma vez mais
juntam-se à chuva
que se intensifica
na escuridão
das estreitas ruas
as estrelas
atrás das nuvens
e a solidão
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
noite
ecos,
espelhos -
onde vivo
que não me ouço,
que não me vejo?
a última nota
do trinado,
nos mil cantos
da catedral
que tem o céu
por telhado
e uma acácia
no altar
a estrela guia
pingando prata
por breve instante
reluz, dourada,
a velha carpa
que se recolhe
tudo é silêncio
no azul do lago
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
ao mar, finalmente...
eis que sigo sozinho
singrando aos sete ventos,
mas, sem nau ou capacete,
apenas com meus dois pés
sem deixar rastro
infelizmente, é fato
que não singro,
mentira,
sigo mesmo é descalço
na cadeira de balanço
qual Sisifo,
no meio do caminho,
desmaio
singrando aos sete ventos,
mas, sem nau ou capacete,
apenas com meus dois pés
sem deixar rastro
infelizmente, é fato
que não singro,
mentira,
sigo mesmo é descalço
na cadeira de balanço
qual Sisifo,
no meio do caminho,
desmaio
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