Nenhuma linguagem é objetiva
até que ir à bica necessite.
Três vezes minha sombra lancei
e sempre ao reverso deu ela,
com capa de caracol e chapéu côco,
tal como aquele acento, o circunflexo.
Neguei três vezes o início da noite,
pingada em ouro sobre um pranto de prata.
Hecateu dióscuro firmado em lascas de mármore,
parei na praia espessa, sulcado de marcas d'água.
Os dentes glorificados das plenas engrenagens
eram todos lubrificados com dentifrício em pó
ainda que em silêncio definhassem, sem pena.
A rádio-vitrola,
comida pelos cupins sem pernas,
e a padaria da esquina enchendo
com seus aromas de bolo fresco
a baunilha seca do esquecimento nosso.
Três vezes procurei por ti.
Esfinges encontrei, mais nada.
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