A mariposa-esfinge que esta noite na minha sala entrou, era calada e de pouco voar. Pousou logo num canto escuro e lá teceu seu casulo de lã, leite e lanolina sólida. No silêncio que se firmou, com afiada tesoura, cortei do casulo uma ponta, expondo um orifício cesurado por paredes finas de seda falsa. Lá dentro, na minha sala me vejo, para onde voa a mariposa-esfinge...
Lembro da matrioska de vime que vi na vitrina da loja outro dia. Lembro da mariposa-esfinge entrando na sala, e pronto me esqueço da matrioska de vime. Dentro do casulo de lã e leite, cortado, eis agora uma girafa, cujo pescoço passa pelo orifício e vai para fora, procurando sair na entrada. Eis da vida o mistério: lã e leite, semolina e óleo.
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