segunda-feira, 9 de julho de 2012

Diógenes


Faz tempo busco, como Diógenes, mas sem lanterna.  Ainda assim, sombras espalham-se por onde quer que eu olhe e onde quer que a luz alcance.  Sombras do olhar, o que não vejo, o atrás das coisas, ou seja, a maior parte do tudo.

O espaço é amplo, como uma catedral romanesca, escuro.  Vultos e bólidos movimentam-se, céleres, num ar impregnado de cheiros velhos.  Sei que num desses corredores ocultos existe uma câmera selada com cera de abelha.  Dentro dela está o que busco.  A décima sinfonia de Beethoven e todas as dez mil cantatas que Bach escreveria após cem anos de idade.  Lá estão também os requiem que Mozart comporia para Carlitos e Einstein.

Dizem os apócrifos que esta câmera tem paredes de pedra polida.


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